Parte I
9.00am
Já estou acordada e pronta para ir para Lisboa.
Sim é hoje que me mudo definitivamente para lá. O tempo aqui no Porto está
espectacular, neste inverno horrível, este deve ser um dos primeiros dias que
para mim uma camisola e um casaco me chegam, até estou de calças logo eu que
quando o frio ataca vai-me logo às pernas! Mas adiante, o meu pai hoje
preparou-me um pequeno-almoço à maneira, croissants, fruta, suminho, havia de
tudo, já não me lembro dele fazer isto, a última vez eu devia ter uns 8 ou 9
anos.
As malas já estão todas na sala preparadas, na
casa só vão ficar os móveis, não vou deixar cá roupa nenhuma apesar de
mantermos a casa por um tempo. O apartamento onde vivo não é muito grande, tem
apenas dois quartos não muito grandes, um quarto de banho, uma cozinha a
precisar de ser remodelada, a sala tem uma bela vista sobre a rua de Santa
catarina, talvez por isso o meu pai a mantenha, bem localizada pode vir sempre
a valer um bom dinheiro quando eu for para a universidade.
- Jessica, só falta levar as tuas malas para a
bagagem da carrinha e depois arrancamos. – Disse me o meu pai (Tiago), um homem
na casa dos quarenta, moreno, alto, bem-parecido até, tipo é meu pai não o vou
criticar, né? – Estás aí a olhar pela janela muito pensativa e calada já há uns
5 minutos.
- Han?! Oi?
Estás a falar comigo? – Perguntei eu deslocalizada
- Não Jessica, estava a falar para as pessoas que
estão a passar lá em baixo- Bem me parecia – Esbocei um pequeno sorriso, peguei nas malas e desci para a carrinha
Uma bela duma carrinha Volkswagen, amarela e branca, de 12 lugares, 3 à frente, e duas filas de 4 lugares, modelo split de 1997, há quem chame carrinha pão-de-forma mas ainda há umas diferenças mas sim, vai dar tudo ao mesmo.
Entrei na carrinha para o lugar de pendura,
sintonizei a rádio e eu e o meu pai demos início à nossa viagem de mais ou
menos 3 horas. Primeira música do dia? Adele - Someone like you, ya ya a música
é bonita, mas há mais alguém que concorda comigo que a música está sempre a dar
quando outras músicas podiam passar nas rádios de vez em quando?
Uma hora de viagem passada, e eu sem abrir a boca,
somente a contar as árvores, tecnicamente falando, aborrecida e bastante
pensativa. O céu azul, o sol brilhante, esta paisagem toda verde estava a levar-me àqueles momentos de depressão a pensar na vida, tudo tão bonita e eu, aqui, tão só, coisas que passam na cabeça quando estamos no meio de uma viagem long. Mas o melhor é estar com o nosso pai ao lado a cantar Summer of ’69 do Bryan Addams, sim ele está a dar um brilharete que está a fazer os meus ouvidos chorarem de ele estar a cantar tão alto. É só mais duas horas de sofrimento e lá chegamos.
…
Sim, finalmente a carrinha parou sem ser para
abastecer! Pés na terra, mesmo na hora do almoço, pouco passa do meio-dia e o
meu pai estacionou a carrinha no parque de estacionamento do McDonalds! Fast
food, yes!Entramos e eu pedi um grande menu, um Bic Mac era tudo o que eu mais queria agora, estava faminta, o meu pai pediu igual, mas o menu XXL, como é que ele consegue?!
Sentamo-nos numa mesa no canto da sala, e começamos a devorar aquilo como se andássemos a viver somente de alfacinhas, mas era pura fome!
- Este é o nosso último almoço a dois, do sentido,
só existirmos só nós os dois. – Deixei a boca fugir à verdade
- Oh, não penses assim, sabes que não é verdade. A
família apenas vai aumentar e isso é uma coisa boa, é assim que tens de pensar,
e não é por isso que estes momentos vão deixar de existir, simplesmente vão ser
diferentes. – Ele a tentar convencer-me de uma coisa que nem ele próprio tinha
a certeza.
Acabámos de jantar em silêncio, e agora só 10
minutos nos separavam da minha nova casa.
Chegámos lá, era um bairro nada a ver com o que eu
estava acostumada, um bairro calmo, casas modernas de deixar a boca cair no chão.
A com grande jardim na frente, portão alto, e com arbustos a fazer de muros
todos bem aparados, era onde eu ia viver. Era uma casa enorme, a sua aparência
transmitia luxo e algo tipo sonho, mas por dentro era de uma simplicidade
fantástica. Elegante e de cores suaves transmitiam muita paz e serenidade.
Desde a última vez que cá estive, há cerca de um mês atrás, a casa mudou um
pouco. Agora um dos 5 quartos da casa estava pronto para me receber. A parede
ainda branca para eu decorar à minha maneira, completamente vazio, e durante um tempo ia eu partilhar o quarto com a Debora.
Voltando à casa, uma entrada bastante ampla tal
como todas as outras divisões da casa, virada para a escadaria em espiral que
leva até aos quartos, do lado esquerdo a sala de estar com uma claridade brutal
devido às enormes janelas que tem, e com a sala de jantar um pouco mais à
frente. Do lado direito da entrada temos uma cozinha maior que a sala de estar
da minha casa do Porto. A cozinha é um sonho!
Na parte de trás do jardim, tem uma pequena
piscina, e o jardim é cada vez maior, e também a garagem é gigante. Com dois
carros lá, uma carrinha Mercedes Classe M, Edition 1 cinzenta que me saltou
logo à vista, que pertencia à empresa onde a Cátia (noiva do meu pai) trabalha.
E um Toyota RAV4 branco pérola, que lindo! E ainda havia espaço naquela garagem
para uma mesa de bilhar e uma de ténis de mesa. Mas onde vim eu parar?!
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